Agora, como é de praxe, quando termino de ler um livro sempre cito algumas considerações que talvez sejam importantes e ai vai.
BITTAR, Eduardo C. B. Ética, educação, cidadania e direitos humanos: estudos filosóficos entre cosmopolitismo e responsabilidade social. Barueri: Manoele, 2004.
p. 3 - "[...] Onde está a humanidade está a ambigüidade. É assim que a mesma ciência que produz cura de doenças para milhares também produz artefatos capazes de destruição em massa. O mesmo exército que é capaz de se mobilizar para salvar vidas pode ser o agente que assassina crianças, mulheres e idosos indefesos. [...] O mesmo Estado que é capaz de criar regras de mantê-las a serviço da comunidade é capaz de escravidão, alienação e desvio de poder. [...] Um discurso filosófico pode ser importante arma de luta pacífica contra a opressão, a inculcação de idéias, a degeneração e a apatia mentais, mas pode ser também a chama para incendiar multidões em direção a práticas violentas e a derramamento inútil (sic) de sangue.[...]”
p. 3 e 4 – “[...] Falar de ética, bem como do entrelaçamento desta com as questões da cidadania, não é contra-censo, mas sim um exercício necessário, até mesmo porque num momento de ceticismo ético e de derrocada dos universais morais se depreende novos valores despontando a partir da própria cultura histórica desse tempo. [...]”
p. 7 - “[...] O problema das exclusões (sociais, raciais, étnicas, econômicas, políticas...) tem a ver, direta e indiretamente, com os modos pelos quais se estruturam as consciências em torno do convívio social. [...]”
p. 11 – “[...] exercitar cidadania não significa, em momento algum, delegar ao Estado a tarefa de gerenciar políticas públicas, ações estratégicas ou investimentos adequados em justiça social. [...]”
p. 17 e 18 – “[...] falar em cidadania, em seu conceito clássico extraído da política e das relações jurídicas às quais estão jungidos os cidadãos de um Estado, parece falar de um recalque, de um luxo, na medida em que homens e mulheres, crianças, adultos e idosos nem sequer alcançaram a condição elementar de vida digna (ou minimamente decente para a sobrevivência) e, portanto, administram suas vidas (suas decisões pessoais, familiares, ético-comportamentais, logísticas de auto-salvação etc.) na base de um único e primitivo critério: a sobrevivências. Falar em cidadania, nesse contexto conceitual clássico, como capacidade de votar e ser votado, como condição política do cidadão perante o estado e seus instrumentos de participação política, parece falar de alguma coisa que faz pouco sentido e repercute parcamente na dimensão de vida de cada uma das pessoas que se encontram nessa condição.”
p. 18 – “Em verdade, a real identidade da palavra cidadania, com o acento que se quer conferir ao termo, reflete exatamente essas preocupações, significando, portanto, algo mais que simplesmente direitos e deveres políticos, e ganhando a dimensão de sentido segundo a qual é possível identificar nas questões ligadas à cidadania as preocupações em torno do acesso às condições dignas de vida. [...]”
p. 19 – “Enquanto a dimensão do ser for definida com base na dimensão do ter, então não haverá espaço para nenhuma política, sociedade ou solução econômica viável à construção da real identidade ético-cidadã entre os indivíduos [...]”
p. 22 – “[...] Se se acredita na desigualdade como sendo algo natural, então nada se faz para mudar esse estado de coisas. Se se considera que são determinantes socioeconômicas que produzem desigualdades, então se passa a perceber o atrelamento das elites com o poder, e as articulações das superestruturas ideológicas para a disseminação de mentalidades que favoreçam um caráter dócil e domesticável das pessoas perante instâncias de dominação social. [..]”
p. 23 – “ De fato, a conclusão não pode ser outra, senão a de que as sociedades alternam na identificação de quem sejam seus ‘subversivos’, ou ‘perseguidos’, ‘espólios’, ‘excrementos’, ‘bandidos’, ‘indesejáveis’, ‘desviantes’. Não importa quem sejam, importa que sempre existem. Atrás disso está toda uma discussão sobre as idéias de normalidade e anormalidade [...] Numa sociedade marcadamente influenciada pelo ideal do capital (lucro como meta de vida), pelo valor do material (ter no lugar de ser), pela dimensão da vantagem pessoal na organização das relações humanas (reificação das relações interpessoais), sem dúvida alguma será o despossuído a nova figura a ser demonizada. Então, o despossuído será o desviante, por não ter condição de estar incluído nas múltiplas dimensões da vida socioeconômica contemporânea, carecendo de acesso ao emprego, a condições dignas de vida, informação e participação nas decisões sociais. Estar fora do mercado é o decreto suficiente dado pela sociedade para o princípio do processo de degradação da pessoa humana, nisso envolvido seu esquecimento, seu desprezo, a diminuição da sua liberdade, a castração de seu acesso a bens etc. Estar fora do mercado é sinônimo de estar fora da dimensão de inclusão social e, portanto, tornar-se um convidado a participar da divisão do grande bandejão da miséria social, do refugo do que a própria sociedade é capaz de produzir, exatamente porque é incapaz de distribuir adequadamente. [...]”
p. 35 – “[...] Percebe-se que uma espécie de doença se espalhou por toda sociedade, contaminando as mentes, as intenções, os sentimentos, o comportamento e a educação dos jovens: nada é feito sem um cálculo escrupuloso de vantagens e desvantagens, lucros e recompensas materiais. Cada indivíduo é valorizado pelo que produz e não pelo que é.”
p. 42 – “[...] faz refletir em quanto o passado está incorporado no presente, e o quanto o futuro deverá fazer para apagar as marcas do passado.”
p. 55 – “De pouco adianta a ação não violenta de poucos, enquanto potências hegemônicas constroem sua territorialidade e sua superioridade na base do armamentismo e da guerra pelos estoques nucleares. [...]”
p. 63 e 64 – “ ‘A arte da política, se for democrática, é a arte de desmontar os limites à liberdade dos cidadãos; mas é também a arte da autolimitação: a de libertar os indivíduos para capacitá-los e traçar, individual e coletivamente, seus próprios limites individuais e coletivos. Esta segunda característica foi praticamente perdida. Todos os limites estão fora dos limites. Qualquer tentativa de autolimitação é considerada o primeiro passo no caminho que leva direto ao gulag, como se não houvesse nada além da opção entre a ditadura do mercado e a do governo sobre as nossas necessidades – como se não houvesse lugar para a cidadania fora do consumismo. E nessa e só nessa forma que os mercados financeiros e mercantil toleram a cidadania. E é essa forma que os governos do dia promovem e cultivam. A única grande narrativa que restou nesse campo é (para citar de no Castoriadis) a da acumulação de lixo e mais lixo. Para essa acumulação não deve haver limites (isto é, todos os limites são considerados anátemas e nenhum limite seria tolerado). Mas a autolimitação deve começar a partir dessa acumulação, isso se quiser começar.’ (BAUMAN. Em busca da política. 2000, p. 12).”
p. 77 – “[...] ‘aprender com o diferente, não permitir que o nosso mal-estar pessoal ou a nossa antipatia com relação ao outro nos façam acusá-lo do que não fez são obrigações a cujo cumprimento devemos humilde mas perseverantemente nos dedicar.’ (FREIRE. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 1996, p. 16-18).”
p. 78 – “[...] A ignorância está na base de muitos erros [...] Dessa forma é que educar significa crescer. O conhecimento que se expande se reverte em maiores chances de novas criações e novos encontros de idéias, das quais se engendram ainda novas alternativas de ser e de se comportar. Aí está a chave para a abertura, para a modificação. Aí está a chave para o reforço da ética. A falta de instrução é, antes de tudo, privação de escolha e castração de acertada deliberação.”
p. 80 – “[...] O papel da educação é libertário, já se disse, e não negador, castrante, coisificador, limitador, constritor, amordaçador, ritualizador e, finalmente, abortivo. [...]”
p. 101 – “Na verdade, quando se pensa na função do educador, deve-se pensar nele desempenhando uma tarefa de humanista, o que também significa fazer perceber ao educando que se encontra na condição de oprimido para despertá-lo em direção à libertação por meio de práticas convenientes e adequadas para tanto. Para que isso ocorra, a humanização vai no sentido contrário de qualquer concepção bancária da educação, e verte-se no sentido criativo da educação conscientizadora, engajadora, habilitante, estimulante e produtiva [...]”
p. 102 – “No lugar da fixação, da reprodução, do continuísmo, surgem a revolução, a renovação, a libertação, a abertura, enfim, a criação. [...]”
p. 102 e 103 – “Explorando temas de motivação e proximidades com as reais condições vivenciais e existenciais do povo, instigando a mentalidade da pesquisa e da busca autônoma pelo saber, demonstrando as causas e as razões da opressão, motivando o diálogo e ouvindo o que o educando tem a dizer, assumindo eticamente sua responsabilidade profissional e social com a cidadania e a responsabilidade política, demonstrando e agindo para a vida e negando a morte abortiva das mentalidades, permitindo que a liberdade invada os modos pelos quais as práticas pedagógicas se fazem, assumindo atitudes democráticas na condução dos trabalhos acadêmicos, tornando-se um educador-investigador para trazes sempre novos estímulos aos alunos e a si mesmo, combatendo toda forma de exclusão social que se possa instaurar dentro da escola ou da sala de aula, instaurando e assumindo a politicidade do mister educacional, formando e informando o educando quanto à sua própria realidade histórico-social, veiculando a paixão pela mobilização que a educação é capaz de proporcionar, vivenciando por suas atitudes o compromisso assumido com a sala de aula, são algumas formas de dar passos em direção à libertação do oprimido de sua condição, bem como em direção à formatação de uma nova conjuntura educacional capaz de motivar a superação do povo brasileiro pelas suas próprias forças.”
p. 137 – “Totalitarismo, armazenagem de armas de destruição em massa, desrespeitos aos direitos humanos, terrorismos são apenas os argumentos de roupagem externa de que se utilizam os americanos para darem continuidade ao processo de expansão de um colonialismo mundial, de uma submissão econômica dos povos, demonstração clara do quanto a Estátua da Liberdade tornou-se o símbolo do despotismo, da unilateralidade, do arbítrio e da força desmedida, indicativos que contrariam a própria bandeira que costumam os americanos ostentar diante do mundo.”
p. 180 – “Certamente o capitalismo não é para Habermas a alternativa para a solução das pendências sociais e humanas mais profundas, até porque parece previsível o colapso do sistema capitalista que, na profunda dependência da economia e da burocracia, convive dificilmente com a legitimidade popular de que carece. Habermas, mediante seu aprofundado estudo sobre a crise de legitimação no capitalismo avançado, está plenamente cônscio dos problemas e abalos que vive o sistema político-capitalista dominante na maior parte dos países desenvolvidos, com conseqüências diretas sobre os países em desenvolvimento [...]”
Um Direito Cosmopolita no lugar do Direito Internacional?!
Muito se fora discutido a respeito de um Direito Cosmopolita, mas é um assunto bem complexo isso porque como saber qual seria o ideal, não parece justo achar que cosmopolitismo esta em ter a cultura ocidental como a "certa" e nada mais precisamos respeitar as diversidades é necessário visar um Direito Comum, mas um direito efetivamente comum, não um direito das minorias, onde a maior parte interessada sofre privações devido a sua condição de "inferioridade".
Seria uma maravilha termos um mundo repleto de paz, alcançarmos a "Paz Perpetua" tal como proposta por Kant, ou talvez chegarmos a um mundo Cosmopolita tal como Jürgen Habermas propõe, realmente seria uma maravilha, mas será que todos os povos pensariam assim?! Será que realmente funcionaria um mundo Cosmopolita, mas um mundo que respeitasse as diversidades?! Será que nações com poderes econômicos e/ou amamentares não quebrariam esse pacto e voltaríamos a maneira como estava a priori?!
O que é fato é que os seres humanos sempre visam o passado, se ontem tínhamos o tribunal de Nuremberg hoje temos o julgamento do Saddan Hussen, se ontem tínhamos batalhas por disputa de terras, hoje temos batalhas por petróleo, se ontem vivíamos numa economia baseado no ouro, hoje temos uma economia globalizada baseada em especulações, como pode perceber o mundo gira como se fosse um relógio sempre buscando as mesmas coisas ocorridas no passado, dando uma nova modelagem, mas a essência é a mesma, então talvez um mundo Cosmopolita feito de forma mal elaborada e caindo esse poder na mão de pessoas errados só nos traria maiores dificuldades, estaríamos a caminho de uma ditadura cosmopolita?! É necessário estar atendo a todas estas questões, imaginem os EUA querendo um mundo cosmopolita, mas onde eles fossem os seres superiores! Terrível.
Vai um post retirado do site Me, Myself and I do Marcos...
Dezembro 3rd, 2006
“I just found out that the brain is like a computer. If that’s true, then there really aren’t any stupid people. Just people running DOS.” - Anônimo
Depois de um semestre estudando Neurociência, Memória e Inteligência eu realmente gostaria de esquecer um pouco esses assuntos, mas hoje achei este artigo 22 ways to overclock your Brain (ririanproject, em inglês), com boas dicas para manter a cabeça funcionando direito, quase todas elas condizentes com o que andei aprendendo em aula. Seguem algumas:
- Experimente o novo. Novos sabores, novos aromas. Viaje, escreva comédias, leia muito. Mude o caminho que usa para ir ao trabalho de vez em quando, só para conhecer um pouco mais a cidade e exercitar seus sentidos.
- Seja curioso. Quando crianças, somos naturalmente curiosos acerca de tudo, e isso garante nosso desenvolvimento cerebral. Mas já viram como boa parte dos adultos são cegos e arrogantes? “Já vi, já conheço, já ouvi falar e não me interessa”. Atitude de gente burra (a arrogância é uma grande característica dos burros).
- Ria! Uma das melhores maneiras de liberar alguns hormônios excelentes para manter o seu equilíbrio químico em dia. Eu diria que rir de si mesmo é excelente para se manter saudável (se a freqüência desse comportamento não for muito elevada, é claro. Se você se pegar diariamente apontando o dedo para o espelho e gargalhando, talvez já seja um pouco tarde para cuidar do cérebro).
- Coma peixe, muito peixe, e corte as gorduras do seu cardápio. Eu, como não quero ser um novo Einstein mesmo, vou continuar indo ao rodízio.
- Jogue! Xadrez, jogo da memória, pôquer (com moderação)… Jogos assim realmente exercitam a memória e a capacidade lógica. Aquele nerd no qual você dava uns tapas durante o colegial não estava tão errado assim.
- Faça amor até mais tarde, e tenha muito sono de manhã. Dormir muito e transar muito não deixa você necessariamente mais esperto. Mas não tenha dúvida de que pensar fica muito mais gostoso depois de uma dormidinha ou uma… rapidinha.
- Escreva! Pode ser um diário pessoal, um blog, poemas e o que você quiser. Pouca coisa aumenta tanto a capacidade intelectual quanto escrever.
- Não fique concentrado em poucas áreas de conhecimento. Se você é engenheiro, que tal ler um pouco de Freud? Arquiteto? Sartre é uma boa pedida. Padre ou pastor? Talvez um “catecismo” do Carlos Zéfiro, quando não tiver ninguém olhando…
- Deixe a arte fazer parte da sua vida. Vá a exposições. Fotografia, pintura, escultura, literatura e muita, muita música! Experimente ritmos diferentes, não fique preso ao que você ouvia na adolescência apenas. Tente o jazz e a música clássica também, eu recomendo Mozart!
- Seja passional naquilo que você faz. Se seu trabalho paga suas contas mas não te dá prazer, se te dá status mas não te apaixonada, pense em mudar. Quando você atribui uma carga emocional positiva a uma atividade qualquer você a desempenha melhor e aprende mais.
Fonte: http://donizetti.wordpress.com/
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Meu Perfil
BRASIL, Sul, CAMBE, CONJUNTO RESIDENCIAL ROBERTO CONCEICAO, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Livros, Bebidas e vinhos, Explorar os limites do cerebro... MSN - fabiorobra@hotmail.com
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