Mais um para a fogueira!
Fala Luciano Pires.
Constantemente recebo e-mails irados de gente religiosa que me acusa de desrespeito à suas crenças. Até ameaças que me acusam de profanar a "Oração de São Francisco" quando lancei a "Oração ao Pocotó".
Recebo também críticas por posicionamento político. Por ser corinthiano. Por ser preconceituoso. Por ser homem. Por ser branco. Classe média. Por respirar...
Tudo bem. Quem sai na chuva, tem que se molhar.
O publicitário Washington Olivetto disse que "A comunicação que tem 100% de aceitação pela neutralidade, é ruim como comunicação. Se ninguém se incomoda, todos acham que está tudo certinho. A chance de não acontecer nada é muito grande. Quando você tem cuidados com as minorias que podem chiar, você não chega a brilhantismo algum".
Escrevo especialmente sobre as críticas de cunho religioso. Uma vez perguntaram ao pianista Arthur Rubinstein se ele acreditava em Deus. E a resposta dele foi ótima: "Não. Não acredito em Deus. Acredito em algo maior".
Tudo que sabemos sobre Deus e as religiões foi trazido pelas mãos de homens. Homens escreveram a Bíblia e o Corão. Homens criaram os ritos. Homens comandaram as religiões. E homens são falíveis. São interesseiros. São invejosos. São homens... E basear sua vida em princípios que homens escrevem e reescrevem, conforme seus interesses, ao longo de milhares de anos não é certamente minha escolha.
Não costumo entrar em discussões sobre religião. Respeito quem é religioso. Essas pessoas encontraram uma forma de lidar com a vida e com a perspectiva da morte. Respeito os ritos. Emociono-me numa igreja ou sinagoga ou diante da manifestação da fé popular. Optei por não buscar uma explicação racional, apenas embarcar na viagem fascinante da fé que o homem é capaz de demonstrar.
Como Rubinstein, escolhi não acreditar em Deus, mas em algo maior. Algo que o homem não pode descrever, regrar ou vender.
Muito menos impor.
Luciano Pires
Editor crédulo
Texto.
Eu concordo.
Paulo Pelicano assina embaixo desse texto do LP e decreta: "não quero ser lembrado jamais como um ser previsível, bonzinho, diário, sociável, terno e meigo. Na pior das hipóteses quero que recordem de mim como uma enorme pedra no sapato. Na melhor das hipóteses quero ser lembrado apenas como um jornalista. Na melhor acepção do termo".
Paulo Pelicano
hehehe legal....o bicho ta pegando no café brasil....
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