Final de ano conturbado.....realmente conturbado....as bruxas soltas....
Nada a declarar...
Feliz tudo a todos e sejam felizes....bjos devidamente distribuidos....um abraço Fabio Robra
Tem coisa mais bonita do que aquele que vc deseja ver?
Tem gosto mais delicioso do que aquele q vc deseja sentir?
Tem som mais exaltante do que aquele q sai da boca amada?
Tem sorriso mais lindo do que aquele q sorri sem obrigatoriedade?
Tem amor mais lindo do que aquele q se ama de verdade e notoridade?
Realmente tem?! Será?! Talvez?!
Qual a melhor hora de se arrepender senão aquele que ja passou?
Qual a melhor hora para se amar senão o momento em que ela te deixou?
Vida, o mistério; Morte, o sacrilégio...
Estamos aqui nesse momento e como dizia o Raul....derrepente num escorregão idiota, num dia insolarado batendo a cabeça no meio fio e ir pro cu do gato...é realmente a vida necessita ser vida a cada instante q se tem...
Um abraço, sem mais, Fabio Robra
Bjos devidamente distribuídos...that´s it! hahahahaha
NOTHING
Patricia Galvão - Pagu
Nada nada nada
Nada mais do que nada
Porque vocês querem que exista apenas o nada
Pois existe o só nada
Um pára-brisa partido uma perna quebrada
O nada
Fisionomias massacradas
Tipóias em meus amigos
Portas arrombadas
Abertas para o nada
Um choro de criança
Uma lágrima de mulher à-toa
Que quer dizer nada
Um quarto meio escuro
Com um abajur quebrado
Meninas que dançavam
Que conversavam
Nada
Um copo de conhaque
Um teatro
Um precipício
Talvez o precipício queira dizer nada
Uma carteirinha de travel's check
Uma partida for two nada
Trouxeram-me camélias brancas e vermelhas
Uma linda criança sorriu-me quando eu a abraçava
Um cão rosnava na minha estrada
Um papagaio falava coisas tão engraçadas
Pastorinhas entraram em meu caminho
Num samba morenamente cadenciado
Abri o meu abraço aos amigos de sempre
Poetas compareceram
Alguns escritores
Gente de teatro
Birutas no aeroporto
E nada
No ano que vem fecharei os olhos para o Belo e não mais procurarei estrelas em céu nublado. Queimarei todos os meus livros, principalmente os de filosofia e poesia. Não acreditarei mais nos utópicos e dos poetas manterei distância. Comprarei livros novos, especializados na "difícil" arte de vencer na vida sem fazer esforço ou de enganar os trouxas sem nenhum escrúpulo.
No ano que vem me filiarei a um partido e me tornarei capacho de algum político. Me especializarei na "nobre" arte da estupidez e engodo. Farei tudo que o mestre mandar e se ele disser que a Terra é quadrada, assinarei embaixo. Me tornarei exímia na "fabulosa" arte de escrever palavras vazias em discursos cheios de más intenções. Anularei de tal forma minha integridade e compostura que no final serei recompensada: virarei presidente
de alguma estatal.
No ano que vem babarei o ovo de alguma estrelinha ou de algum galãzinho bonito que de arte só entendem a de revistas versadas em fuxicos e babados.
Me esquecerei de Cacilda, Fernanda, Marília, Dina, Isabel, Natália, Ítalo, Walmor, Autran, Borghi, Petrin, Gracindo, Procópio e tantos outros, verdadeiramente abençoados por São Shakespeare. Por falar nele, o descanonizarei e o enviarei para o limbo, junto com o velho Lear.
No ano que vem desafinarei meus ouvidos e vibrarei com o máximo de lixo musical que conseguir ouvir. Quebrarei todos os meus discos de Jobim, João Gilberto, Maria Callas, Nara Leão, Elizeth Cardoso, Maysa, Ellis, Wanda Sá, Edu Lobo, Caetano, Mutantes, Gil, Maysa, Amália Rodrigues, Charlie Parker, Os Cariocas, Tom Waits, Marina Lima, Dorival, Nana, Ray Charles, Bessie Smith, Billie Holliday, Luis Melodia, Etta James, Jacques Brel, Edith Piaf, Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan, Joan Baez, Clementina de Jesus, Cartola, Dr. John, Nina Simone, os Chicos (Buarque e Cesar)... e comprarei todas as éguinhas-pocotó que encontrar pela frente.
No ano que vem me tornarei guru de alguma estrelinha, astro do futebol ou de uma nova emergente e cobrarei fortunas por cada palavra (?) que eu vier a falar. Aliás, não falarei nada. Guru que é bom é aquele que olha, fica calado e mantém um ar distande, acima de qualquer mortal.
No ano que vem farei previsões para o ano seguinte e aparecerei em todos os canais de TV (de preferência com o telefone para consultas devidamente creditado na tela). Vaticinarei acidentes e mortes de celebridades (sem citar nomes, é claro!), seguidas por possíveis triunfos da seleção, casamentos e divórcios de artistas, gongorras financeiras e desilusões políticas (como se isso fosse novidade!).
No ano que vem esquecerei o meu curso de Filosofia e arrumarei um diploma em alguma universidade holística ou de marketing empresarial.
Ministrarei palestras e darei workshops caríssimos, voltados para temas ardilosos tipo "Descobrindo o seu Eu Interior", "Os Anjos e os Negócios", "
Torne-se Afrodite em Dois Dias" e "Os Deuses Empresariais". Estarei rica em pouco tempo e nunca mais ficarei no vermelho. Platão, Kant, Sartre, Descartes, Hegel, Hume... certamente entenderão minha completa falta de princípios e excesso de fins.
No ano que vem fundarei mais uma igreja evangélica e afirmarei que Jesus cura em suaves prestações e que o Paraíso pode ser financiado pela Caixa Econômica sem assinatura de qualquer avalista. Tirarei encostos, exorcizarei demônios e vícios, muito mais barato que qualquer outro concorrente. E se os meus sermões convencerem, me tornarei dona de uma estação de tevê e de um partido político.
No ano que vem terei me tornado tão medíocre, tão abjeta, que se eu morrer nem o Diabo aceitará minha alma.
Marcia Frazão
|
||||
![]() | ||||
|
||||