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Quarta-feira, 29 de junho de 2005
ONU indica aumento do consumo de maconha no mundo

Rio de Janeiro - A cannabis (maconha e haxixe), droga ilícita mais traficada e consumida, foi a única que teve aumento do número de usuários no mundo, segundo a ONU. O Relatório Mundial Sobre Drogas de 2005 das Nações Unidas, divulgado nesta quarta-feira no Rio, mostra que cerca de 200 milhões de pessoas - 5% da população mundial entre 15 e 64 anos - usam drogas, das quais 160,9 milhões fumam maconha ou haxixe (4%).

Em relação ao relatório de 2004, houve um acréscimo de 15 milhões de usuários de cannabis, enquanto o consumo de outras drogas caiu (anfetaminas) ou manteve-se praticamente estável (ecstasy, cocaína e opiáceos). A produção global é estimada em 42 mil toneladas (maconha) e 7.400 toneladas (haxixe).

"Foi uma grande surpresa o incremento de 15 milhões de pessoas", declarou Giovanni Quaglia, representante do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) para o Brasil e o Cone Sul. O número é maior que o total de usuários de cocaína no mundo: 13,7 milhões. Segundo ele, um dos fatores para o aumento do consumo de cannabis é o fato de a droga ser considerada mais leve, o que, disse Quaglia, resulta numa "atitude de falta de controle social". "Esta foi a forma pela qual subiu o consumo das drogas legais." A ONU estima que o consumo de álcool chegue a 50% da população e o de tabaco, a 30%.

Quaglia não é um defensor da descriminalização da maconha, como já ocorre em alguns países da Europa, mas defende que o uso de drogas, de uma forma geral, seja visto como um problema de saúde pública, e não criminal. "Legalizar a maconha não vai resolver o problema da violência no Rio ou no Brasil. Não há solução fácil. Primeiro, porque o crime organizado movimenta US$ 2 trilhões por ano. Considerar a maconha uma droga legal como o álcool e o tabaco é uma hipótese, mas ainda estamos longe de chegar a um acordo sobre isso. Se prevê que aumentaria o nível de consumo, podendo chegar aos 30% do tabaco", argumentou ele, que é engenheiro.

As apreensões de maconha totalizaram 5,8 mil toneladas em 2003, um crescimento de quase 100% em relação a 1998. As maiores ocorreram no México (37% do total), na África (26%) e nos EUA (21%). No caso do haxixe, foram apreendidas 1.361 toneladas em 2003 - 50% a mais que em 1998.

Na entrevista, Quaglia criticou a falta de investimento do governo brasileiro em programas de tratamento e inserção social de usuários. Uma parte do relatório é dedicada ao Brasil, que em 2003 fez a 5.ª maior apreensão mundial de maconha (166,2 toneladas). Segundo a ONU, 60% da cocaína que chega ao Brasil - para consumo interno ou em trânsito para a Europa - é produzida na Colômbia. Outros 30% chegam da Bolívia, e 10% têm origem no Peru. Os dados do relatório são oficiais, coletados em 177 países, referentes a 2003.

Post politico por medida de informação...

Olha seu Lula vai ter que furta muita grana hem hehehehe....

Apoio do PMDB vai custar muito caro ao governo

Além de seis lugares na Esplanada, partido cobra liberação de R$ 6 bilhões
Sérgio Pardellas e Sérgio Prado

BRASÍLIA - Não há rosário nem argumento que una o PMDB em torno da proposta do presidente Lula de participação no Ministério em troca de uma aliança sólida no Congresso. Enquanto deputados e senadores desfiavam um rosário de argumentos políticos para sustentar sua posição, emissários dos sete governadores peemedebistas e da cúpula do partido fizeram chegar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e da Coordenação Política, Aldo Rebelo, a fatura do desembarque da legenda na Esplanada: seis pastas e a liberação de pelo menos R$ 6,29 bilhões, referentes a demandas represadas aos estados pela União.

Como num primeiro momento, Palocci travou a liberação da verba, os governadores endureceram o discurso. Enviaram ao presidente nacional do partido, Michel Temer (SP), um documento em oposição à maior participação da legenda no primeiro escalão.

- Os governadores afirmam que o PMDB não quer participar do governo Lula. Quer assegurar a governabilidade, mas não tem necessidade de ocupar cargos, para ter a liberdade de votar como achar conveniente - informou o secretário de Governo do Rio, Anthony Garotinho.

O Planalto, convencido da importância do partido para a sustentação política no Congresso, não fechou a porta às negociações. Haverá um novo encontro de Lula com os principais líderes do PMDB ainda esta semana.

A maior conta é cobrada pelo governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos. Embora deixe passar a idéia de que está cada vez mais afinado com o presidente Lula e com os projetos do Planalto para 2006, Jarbas tem como alvo a construção da refinaria da Petrobras no estado. A obra é avaliada em R$ 2,3 bilhões, numa associação entre a estatal brasileira e a venezuelana PDVSA.

A fatura do Rio Grande do Sul também é alta: R$ 1,9 bilhão. Do total, R$ 900 milhões como compensação das perdas da desoneração das exportações - 10% dos R$ 9 bilhões prometidos pelo governo no início do ano -, e R$ 1 bilhão como ressarcimento de obras em rodovias federais realizadas com recursos do estado.

A reivindicação do Rio é antiga. Um dos críticos mais cáusticos da ocupação na estrutura administrativa federal pelo PMDB, Garotinho pleiteia a liberação de R$ 350 milhões das contas B do Banerj e a antecipação de R$ 1 bilhão de pagamentos dos royalties do petróleo para o estado.

Da lista de pedidos do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique, constam 40 itens. Chegaram ao conhecimento do ministro Aldo Rebelo nos últimos dias. A exemplo do Rio Grande do Sul, a maior demanda relaciona-se à compensação das perdas com a Lei Kandir. Soma R$ 600 milhões.

O Paraná cobra a mudança na Lei dos Portos que permitirá a modernização do porto de Paranaguá, o maior exportador de grãos do mundo. No Orçamento da União estão previstos apenas R 3 milhões, valor considerado irrisório pelo governador Roberto Requião. O peemedebista agradeceria se o governo soltasse pelo menos R$ 140 milhões.

Os seis ministérios criaram uma saída política para contemplar o PMDB como um todo. Seria uma saída para agradar todas as alas de um partido dividido. As fatias atenderão os grupos da Câmara, do Senado, dos governadores e do ex-presidente do Congresso, senador José Sarney. O partido acalenta o sonho de controlar os Ministérios de Minas e Energia, Cidades, Integração Nacional e Saúde; E manter -se nas Comunicações e na Previdência.

Colaborou Renata Moura

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